Boletim Periódico – Ano 3 (2014) – Nº 2 Tema Trabalho: Prontos para a mudança de ciclo? O que mostram os dados desagregados recentes do mercado de trabalho brasileiro

   ISSN 2357-8882

EDITORIAL

O GAEPP tem o prazer de apresentar à comunidade acadêmica e à sociedade em geral esta sétima edição do Boletim do Observatório Social e do Trabalho, que tem como temática de interesse a dinâmica mais recente do mercado de trabalho brasileiro. Assim sendo, na sessão “Em Foco”, abordam-se alguns sinais que apontam para uma possível tendência de mudança de ciclo da economia brasileira, com rebatimentos negativos sobre o mercado de trabalho, em que pese à aparente situação de pleno emprego, denotada pela baixa taxa de desocupação, que alcançou, no final de 2013, o menor índice da série iniciada em 2002. Na sessão “Atualidades” apresenta-se uma entrevista com o Prof. Dr. Amilton Moretto, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho – CESIT- da Universidade Estadual de Campinas, cujo conteúdo contempla um balanço e perspectivas do mercado de trabalho brasileiro, a partir de uma análise das tendências mais recentes. Na sessão “Eventos” são apresentadas informações sobre o Seminário “Política de Salário Mínimo para 2015-2018: avaliações de impacto econômico e social” a ser promovido pelo Instituto Brasileiro de Economia (FGV/IBRE) e pela Escola de Economia de São Paulo (FGV/EESP). Por último, na sessão “Informe Bibliográfico”, é destacado o livro “Debates Contemporâneos Economia Social e do Trabalho: subdesenvolvimento e trabalho” de autoria do economista e Professor da UNICAMP Marcio Pochmann, publicado pela Editora LTR, em 2013.

Profa. Dra. Valéria Ferreira Santos Almada Lima

Editora Adjunta

ATUALIDADE

ENTREVISTA COM AMILTON MORETTO[1]Tendências recentes do mercado de trabalho brasileiro: balanço e perspectivas[2]

Felipe de Holanda –  A taxa de desemprego, medida pelo IBGE, atingiu, em janeiro último, o mínimo da série (4,8%), desde a mudança de metodologia, em 2002. Alguns analistas apontam tal patamar como representativo de uma situação de pleno emprego. O Senhor concorda com esta avaliação?

Amilton Moretto – Falar em pleno emprego parece-me certo exagero. Primeiramente, essa taxa refere-se somente a seis regiões metropolitanas divulgadas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre), desconsiderando outras áreas metropolitanas e as áreas não metropolitanas. Um segundo aspecto importante: essa taxa foi menor que a de janeiro de 2013 (5,4%), mas foi 0,5 ponto percentual superior à registrada no mês anterior (dez/2013), que foi de 4,3%. Esse resultado significou um aumento de cerca de 102 mil trabalhadores no total de desempregados, enquanto reduziu-se o número de pessoas ocupadas. Outra questão é definir pleno emprego e qual a taxa que seria representativa dessa situação, pois mesmo neste caso existirão postos de trabalho a serem preenchidos e trabalhadores em busca de uma melhor colocação no mercado de trabalho, ainda que o tempo de desemprego seja menor. Por outro lado, é inegável que o mercado de trabalho tem apresentado crescimento significativo desde a década passada, com a ampliação das oportunidades de emprego com carteira assinada, mesmo com a redução do ritmo de crescimento do PIB. Esse bom dinamismo da economia, especialmente de alguns setores, pode ter levado a uma demanda por profissionais com perfis mais especializados, gerando gargalos para determinadas empresas que, com a dificuldade em encontrar tais profissionais mais especializados no mercado, buscam atrair esses trabalhadores de empresas concorrentes, pagando maiores salários.

[1] Mestre em Economia Social e do Trabalho pela UNICAMP e doutor em Desenvolvimento Econômico pela UNICAMP. Atualmente atua como professor da UNICAMP e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (CESIT).

[2] Entrevista concedida ao Profº Felipe de Holanda, doutorando em Políticas Públicas da UFMA e pesquisador do GAEPP.

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EM FOCO

PRONTOS PARA A MUDANÇA DE CICLO? O que mostram os dados desagregados recentes do mercado de trabalho brasileiro

A desaceleração do crescimento econômico brasileiro nos últimos três anos não poderia deixar de ter repercussão sobre o mercado de trabalho. Em 2010, diante dos 7,5% de avanço do PIB, o país abriu, de acordo com dados do CAGED, 3,1 milhões de postos de trabalho formais (média mensal de 265 mil novas vagas), um recorde. No ano passado, esse número caiu para 1,1 milhão (uma média mensal de 91 mil novas vagas), menor até do que em 2009, ano de recessão. Os dados do Ministério do Trabalho e Emprego evidenciam uma forte desaceleração no ritmo de contratações durante esse período.

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EVENTO

Seminário “Política de Salário Mínimo para 2015-2018: Avaliações de Impacto Econômico e Social”

O Instituto Brasileiro de Economia (FGV/IBRE) e a Escola de Economia de São Paulo (FGV/EESP) promoverão, nos dias 7 e 8 de maio de 2014, na sede da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, o Seminário “Política de Salário Mínimo para 2015-2018: Avaliações de Impacto Econômico e Social”. O objetivo desta iniciativa é reunir os principais especialistas sobre o tema para apresentar diagnósticos e propostas de política econômica que possa ser utilizadas pelo governo brasileiro nos próximos anos. O Seminário será dividido nas seguintes sessões:

  • 1 – Salário Mínimo e Mercado de Trabalho
  • 2 – Salário Mínimo e Distribuição de Renda
  • 3 – Salário Mínimo e Finanças Públicas
  • 4 – Salário Mínimo e Inflação
  • 5 – Macroeconomia do Salário Mínimo

As inscrições para o evento são gratuitas.

Acesse pelo site:<http://portalibre.fgv.br/main.jsp?lumPageId=402880811DF9ADC4011E222C7F8275

BB&contentId=8A7C82C544B314F901451EA0CB88577A)>.

 INFORME BIBLIOGRÁFICO

Publicação do Livro “Debates Contemporâneos Economia Social e do Trabalho: Subdesenvolvimento e Trabalho” – Vol. 10

Foi lançado no Seminário “Desafios e Oportunidades para o Desenvolvimento Brasileiro – Aspectos Sociais, no dia 7 de maio de 2013, no Auditório do Instituto de Economia da Unicamp, o Livro “Debates Contemporâneos Economia Social e do Trabalho: Subdesenvolvimento e Trabalho” – Vol. 10, de autoria do Prof Dr. Márcio Pochmann e publicado pela Editora LTR. Em análise instigante, o autor destaca que, após duas décadas de regressão, na primeira década do século XXI, o mercado de trabalho brasileiro voltou a se recuperar. Entretanto, esse período de relativo progresso não foi suficiente para superar as características do subdesenvolvimento do trabalho no Brasil, expressas nos ainda significativos diferenciais de uso e de remuneração da força de trabalho. Assim sendo, ao realçar as principais manifestações do subdesenvolvimento do trabalho no Brasil, o autor pretende contribuir não apenas para o conhecimento sobre as mazelas que caracterizam o mercado de trabalho brasileiro, mas, sobretudo para transformá-las em prol de um trabalho decente.

EXPEDIENTE
Editora Geral: Profa. Dra. Maria Ozanira da Silva e Silva
Editora Adjunta: Boletim Ano 03 – Nº 02,

Profa. Dra. Valéria Ferreira Santos de Almada Lima

Projeto Gráfico e Diagramação Juliano Alves
Publicação Bimensal
Os textos publicados são de
responsabilidade dos autores.

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