Boletim Ano 15(2026) – Nº 01 – Eixo Pobreza:
POBREZA, DESIGUALDADE E CONDIÇÕES DE VIDA DAS MULHERES NO BRASIL E NO MARANHÃO.
EDITORIAL
Na presente edição do Boletim Periódico do Observatório Social e do Trabalho – Boletim Ano 15 (2026) – Nº 01 – Eixo Pobreza, o Grupo de Avaliação e Estudo da Pobreza e de Políticas Direcionadas à Pobreza (GAEPP) tem o prazer de expor à apreciação dos leitores o tema: “Pobreza, desigualdade e condições de vida das mulheres no Brasil e no Maranhão”.
Com a participação, no item Em Foco, da mestranda Isabel Vitória Barros de Sousa, orientanda da profa. Dra. Maria do Socorro Sousa de Araújo do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da UFMA, a opção por esse tema foi ancorada na sua presentificação e nas controvérsias que gera entre militantes e pesquisadores. Parte-se da perspectiva de que, no Brasil, a pobreza feminina é estrutural, baseada em padrões históricos articulados ao patriarcalismo, com maior impacto sobre negras e pardas. Nesse sentido, as mulheres, além de enfrentarem dupla jornada de trabalho, ocupando mais tempo que os homens em afazeres domésticos, tendem a ter menor remuneração, inserção informal e maior insegurança alimentar, além de desigualdade manifesta na sub-representação política.
Na seção Atualidades, destaca-se a entrevista denominada Sobre Pobreza e Desigualdade de Gênero no Brasil e no Maranhão realizada pela Profa. Dra. Maria Eunice Damasceno Pereira com Marly de Jesus Sá Dias e Silse Texeira de Freitas Lemos estudiosas do tema, Assistentes Sociais, professoras doutoras e aposentadas do então Departamento de Serviço Social – DESES da Universidade Federal do Maranhão – UFMA que aprofundam o debate, refletindo sobre o conceito de feminização da pobreza, sobre a maior presença de mulheres entre os pobres e extremamente pobres, atestada por institutos de pesquisa. Lembram a relevância da luta social para reversão desse processo histórico e das políticas sociais que, embora não sejam capazes de reverter o quadro, “são importantes para assegurar direitos, garantir proteção social, reduzir o fosso das desigualdades entre homens e mulheres”.
As seções subsequentes apontam portas para a ampliação das ponderações apresentadas. Na seção Eventos, o/a leitor/a é informado/a sobre o 46º Encontro de Assistentes Sociais do Maranhão a ser realizado nos dias 14 e 15 de maio de 2026, em São Luís, pelo CRESS-MA. Finalmente, na seção Informe Bibliográfico indica-se a leitura de duas obras seminais relacionadas ao tema: “Mulheres, Raça e Classe” de Angela Davis e O Poder do Macho” de Heleieth Saffioti
Boa leitura!
Profa. Dra. Salviana de Maria Pastor Santos Sousa
Editora Adjunta do Observatório Social e do Trabalho do GAEPP
Elaboração do Boletim
Profa. Dra. Salviana, de Maria Pastor Santos Sousa (Pesquisadora do GAEPP)
Profa. Dra. Maria Eunice Ferreira Damasceno Pereira (Pesquisadora do GAEPP)
Profa. Dra. Maria, do Socorro Sousa de Araújo (Pesquisadora do GAEPP)
Profa. Dra. Annova Míriam Ferreira Carneiro (Pesquisadora do GAEPP)
Profa. Dra. Cleonice Correia Araújo (Pesquisadora do GAEPP)
Profa. Dra. Talita, de Sousa Nascimento Carvalho (Pesquisadora do GAEPP)
ATUALIDADE SOBRE POBREZA E DESIGUALDADE DE GÊNERO NO BRASIL E NO MARANHÃO
ENTREVISTA REALIZADA POR MARIA EUNICE FERRREIRA DAMASCENO PEREIRA[1] COM MARLY DE JESUS SÁ DIAS E SILSE TEXEIRA DE FREITAS LEMOS[2]
ENTREVISTADORA: A maior presença de mulheres entre os pobres e extremamente pobres, atestada por institutos de pesquisa como o IBGE, pode ter distintas explicações. Quais você entende como mais relevantes? Antes de adentrar no cerne da questão, que por sinal, não se apresenta de forma consensual entre os estudos sobre gênero e pobreza (Novellino, 2002), é importante destacar que o Brasil é um país complexo, mas, não é pobre, e sim, abissalmente desigual, tanto em termos sociais, como de gênero, em que o machismo cumpre uma função social de dominação dos homens sobre as mulheres. A conjugação dos fatores de ordem estrutural, econômica, sociocultural e política, ilustram a multimensionalidade da categoria pobreza, ao mesmo tempo em que permite antever que a insuficiência monetária é apenas um de seus aspectos palpáveis, envoltos a pluralidade de carências ignoradas. Faz-se oportuno, considerar que é voz corrente entre estudiosas como Yazbek (1993), por exemplo, apontar como causa inquestionável da pobreza a acumulação capitalista, fruto de um sistema que produz riqueza e miséria, esta última manifesta pela gigantesca desigualdade social que alicerça a produção e reprodução da pobreza na sociedade, atestada pela desproteção social das classes subalternas. Embora pobreza e desigualdades não sejam exclusividades do capitalismo, estes fenômenos figuram como seus pilares estruturantes, consolidados historicamente. [1] Assistente Social, doutora em Economia Aplicada, docente do Curso de Serviço Social e do Programa de pós-Graduação em Políticas Públicas/UFMA [2] Assistentes Sociais, professoras doutoras e aposentadas do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Maranhão | EM FOCO POBREZA, DESIGUALDADE E CONDIÇÕES DE VIDA DAS MULHERES NO BRASIL E NO MARANHÃO. Na presente seção discute-se a questão da pobreza, no Brasil, com foco na desigualdade de gênero e na particularidade do Maranhão, a partir de dados do IBGE (2022, 2023 e 2024). A pobreza é, aqui, entendida como expressão da questão social, portanto, resultante de desigualdades estruturais de classe, gênero e raça que moldam experiências e produzem efeitos específicos sobre determinados grupos. Antunes (2009) pondera que, no mundo produtivo, é possível observar que aos homens e às mulheres tendem a ser atribuídas funções e remuneração que favorecem o primeiro grupo e levam o segundo a sofrer restrições relativas, materializadas em contextos econômicos (redução da renda) e sociais (decadência no padrão de vida). A desigualdade de gênero contribui, portanto, para que as mulheres estejam mais expostas à pobreza, bem como tenham mais dificuldade de superá-la, quando comparadas à realidade dos homens. Essa vinculação entre gênero e pauperismo pode ser constatada através de dados empíricos. No Brasil, por exemplo, como pode ser visto na Figura 1, verifica-se que essa afirmativa se aplica à realidade havendo maior proporção de mulheres que vivem, tanto na pobreza quanto na extrema pobreza[1]. [1] Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), considera-se pobreza a condição de indivíduos que vivem com renda domiciliar per capita inferior a R$ 665,02 mensais (linha de pobreza), enquanto a extrema pobreza ou miséria corresponde àqueles com renda inferior a R$ 218,00 mensais por pessoa (linha da extrema pobreza), conforme os dados da PNAD Contínua (IBGE, 2023). |
EVENTO
Da programação consta uma etapa estadual e encontros descentralizados em diferentes regiões do Maranhão. Os Encontros descentralizados obedecerão ao seguinte calendário
As inscrições podem ser realizadas no endereço: www.cressma.org.br | INFORME BIBLIOGRÁFICO No contexto da produção bibliográfica conexa ao tema do Boletim, indicamos a leitura dos seguintes livros:
Mulheres, Raça e Classe, foi publicado em 1981, pela filósofa e teórica feminista estadunidense Angela Davis. Foi traduzido por Heci Regina Candiani e publicado no Brasil pela Editora Boitempo. Trata dos dilemas femininos contemporâneos da mulher, destacando os modos pelos quais a mulher negra foi desumanizada. Aponta a incoerência de se pensar um projeto de nação que desconsidere a centralidade da questão racial, já que as sociedades escravocratas foram fundadas no racismo. Além disso, a autora mostra o imperativo da não hierarquizar as opressões, levando em conta, portanto, a intersecção entre raça, classe e gênero para possibilitar um novo modelo de sociedade.
Livro de 2010 publicado pela Editora Moderna, de autoria da ensaísta, socióloga e advogada Heleieth Saffioti , aborda a discriminação contra a mulher e o negro no Brasil como questão socialmente construída para beneficiar os que controlam o poder econômico e político. Destaca que esse poder que é macho e branco é baseado em processo que articula patriarcado, racismo e capitalismo, portanto, qualquer mudança no sentido de construção de uma sociedade mais justa precisa levar em conta o enfrentamento desses três sistemas |
EXPEDIENTE
Editora Geral: Profa. Dra. Maria Ozanira da Silva e Silva
Editora Adjunta: Boletim Ano 15 – Nº 01,Profa. Dra. Salviana de Maria Pastor Santos Sousa
Projeto Gráfico e Diagramação Juliano Alves
Publicação Bimensal
Os textos publicados são de responsabilidade dos autores.


Na presente edição do Boletim Social e do Trabalho- Eixo Pobreza, o Gaepp tem o prazer de informar o evento 46º Encontro de Assistentes Sociais do Maranhão a ser realizado nos dias 14 e 15 de maio de 2026, em São Luís, pelo o CRESS-MA, no Auditório do CCSo da UFMA( Campos Dom Delgado) com o tema “Serviço Social: a resistência cotidiana na luta pela radicalidade democrática”. 
