Boletim Ano 15(2026) – Nº 02 – Eixo Pobreza:  POBREZA E EXTREMA POBREZA NO MARANHÃO: um retrato do ano de 2024

EDITORIAL

O presente Boletim Social e do Trabalho retoma a discussão sobre a questão da pobreza e da extrema pobreza, problemas recorrentes no Brasil e no Maranhão. Na seção EM FOCO, toma como referência o ano de 2024, considerando ser este o ano mais recente de dados sobre a pobreza publicados pelo IBGE. Foi também quando, nesse estado subnacional, o Governo Estadual implantou um programa social com o objetivo de complementar benefícios distribuídos pelo Bolsa Família e outros programas desenvolvidos pelo nível Federal, com vistas a melhor atender demandas nesse campo particular da questão social. O trabalho ou sua ausência é a referência subliminar do tema desenvolvido, uma vez que o modelo hegemônico de desenvolvimento, tende a causar pobreza ao acumular a riqueza produzida. Desse modo, tanto sob a ótica do liberalismo, como tendência, quanto do marxismo, sob forma de crítica, a exploração da força de trabalho para manter a hegemonia do capitalismo no mundo é uma realidade e causa empobrecimento. Para Santos (2017), a opressão de seres humanos teoricamente iguais aos seus exploradores, mas inferiorizados, na condição de sub-humanos, provoca dois tipos de desvalorização do trabalho: uma controlada, porque regulada pelo princípio da igualdade e uma desvalorização intensa exercida sobre seres ontologicamente degradados, racializados e sexualizados.

Na Seção ATUALIDADES, é apresentada uma entrevista feita por Talita de Sousa Nascimento, Professora Adjunta do Departamento de Economia (UFMA) e pesquisadora do Grupo de Avaliação e Estudo da Pobreza e de Políticas Direcionadas à Pobreza – GAEPP, com Alberto Pessoa Bastos, Secretário de Estado de Monitoramento de Ações Governamentais do Maranhão (SEMAG) e da Secretaria das Cidades do Maranhão (SECID). Nesse encontro, o entrevistado destaca as iniciativas que entende valorosas do Governo Estadual, particularmente, o Programa “Maranhão Livre da Fome” considerado política pública inovadora que prevê a transferência de renda para que mais de 95 mil famílias ultrapassem a linha da pobreza, além do acompanhamento de saúde e meios de inclusão socioprodutiva através de capacitações ofertadas na área de interesse dos beneficiários.

Nas seções subsequentes são feitas indicações com vistas ao adensamento das reflexões apontadas no Boletim. Em EVENTOS é sugerida a participação dos leitores e leitoras no VI Simpósio Internacional sobre Estado, Sociedade e Políticas Públicas – SINESPP, a ser realizado nos dias 18, 19, 20 e 21 agosto de 2026, em Teresina-PI, cujo tema central é “Capitalismo e políticas públicas em contexto de expropriações e espoliações contemporâneas: lutas e resistências”. Também a II Jornada Nacional de Serviço Social e XI Jornada Nordeste a serem realizadas entre 02 e 04 de setembro de 2026, em Recife-PE. Esta oferece inscrições gratuitas, no formato online, e tem como tema “Democracia, Movimentos Sociais, Pobreza e Meio Ambiente”.

Na seção INFORME BIBLIOGRÁFICO sugere-se a leitura dos livros. “Vidas Roubadas de autoria de Alessandro Pinzani e Walquíria Domingues Leão Rego que foi lançado em 2025, em São Paulo, pela Editora UNESP e “Os mais ricos e os mais pobres”, publicado em 2023, pela Companhia das Letras, de autoria do Marcelo Medeiros sobre a produção da pobreza e das desigualdades.

                                  Boa leitura!

             Profa. Dra. Salviana de Maria Pastor Santos Sousa

                                                     Editora Adjunta

 

Participaram da elaboração desse Boletim

 

Profa. Dra. Salviana, de Maria Pastor Santos Sousa (Pesquisadora do GAEPP)

Profa. Dra. Talita, de Sousa Nascimento Carvalho (Pesquisadora do GAEPP)

Profa. Dra. Cleonice Correia Araújo (Pesquisadora do GAEPP)

Profa. Dra. Maria Eunice Ferreira Damasceno Pereira (Pesquisadora do GAEPP)

Profa. Dra. Maria do Socorro Sousa de Araújo (Pesquisadora do GAEPP)

Profa. Dra. Annova Miriam Ferreira Carneiro (Pesquisadora do GAEPP)

 

 

ATUALIDADE

POBREZA E PROGRAMAS SOCIAIS NO MARANHÃO

ENTREVISTA REALIZADA POR TALITA, DE SOUSA NASCIMENTO[1] CARVALHO COM ALBERTO PESSOA BASTOS[2]

 Entrevistadora: O Maranhão é um Estado que há muitos anos apresenta um dos maiores indicadores de pobreza do Brasil. Como você entende a pobreza do Maranhão? Quais os seus principais determinantes?

Alberto Pessoa Bastos: A pobreza no Maranhão deve ser compreendida a partir de seus determinantes estruturais e multidimensionais, que se expressam não só na insuficiência de renda, como também em um conjunto articulado de privações econômicas, sociais, políticas e territoriais. Em consequência, temos uma sociedade marcada pela desigualdade, exclusão e baixa capacidade de geração de oportunidades.  Entre os principais determinantes, destacam-se a estrutura econômica pouco diversificada e de baixa produtividade, fortemente baseada em atividades primárias e com limitada industrialização. Do ponto de vista social, avultam a baixa qualificação profissional que restringe o acesso a bons empregos e as capacidades de empreender. A dimensão territorial também é determinante, com grandes disparidades regionais e isolamento de municípios, especialmente no interior do Estado, o que dificulta o acesso a mercados, serviços e políticas públicas. Essa configuração reforça desigualdades espaciais e limita a integração econômica do estado.

 Entrevistadora: A persistente situação de pobreza do Maranhão parece evidenciar certa inércia do governo com essa problemática no Estado. Qual a sua opinião sobre as estratégias de enfrentamento à pobreza que antecederam a atual gestão estadual?

1  Graduação em Ciências Econômicas, mestrado e doutorado em Políticas Públicas na UFMA (2021). Foi Presidente do Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos – IMESC. Atualmente é professora adjunta do Departamento de Economia (UFMA) e pesquisadora do Grupo de Avaliação e Estudo da Pobreza e de Políticas Direcionadas à Pobreza – GAEPP

[2]   Graduação em Direito pela Universidade Fluminense do Rio de Janeiro, mestre em Direito Constitucional pela Universidade Federal Fluminense. Defensor público de carreira desde 2010, atuou por dois mandatos consecutivos como defensor público-geral do Maranhão (2018-2022). Atualmente, é secretário da Secretaria de Estado de Monitoramento de Ações Governamentais do Maranhão (Semag) e da Secretaria de Estado das Cidades do Maranhão (Secid).

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EM FOCO

POBREZA E EXTREMA POBREZA NO MARANHÃO: um retrato do ano de 2024

O Boletim Social e do Trabalho – Eixo Pobreza traz novamente à tona um retrato da pobreza e da extrema pobreza no Maranhão, realidades entendidas como refrações da questão social que se manifestam mediante a privação das condições necessárias à subsistência. Decorrem da desigualdade social que, sob o capitalismo e agregadas historicamente ao processo de formação das sociedades, impedem a repartição justa de renda e oportunidades a significativas parcelas da população.

A escolha do ano de 2024, como marco temporal do Boletim, se deu porque este é o ano mais recente de dados sobre a pobreza publicados pelo IBGE. De acordo com o Instituto, o Brasil alcançou, nesse ano, as menores proporções de pobreza e de extrema pobreza desde o ano de 2012. A magnitude da população do país na pobreza (linha US$ 6,85 PPC ou R$ 694 por mês), em 2024, era de 23,1%, recuando de 27,3% em 2023. Em termos absolutos, 8,6 milhões de pessoas saíram da pobreza entre 2023 e 2024. Já a proporção de pessoas na extrema pobreza (linha US$ 2,15 PPC ou R$ 218 por mês) recuou de 4,4% para 3,5%, uma redução de 1,9 milhão de pessoas nessa situação. A região Sul apresentou as menores proporções de pobreza e extrema pobreza (11,2% e 1,5%, respectivamente), embora o Nordeste ainda tenha apresentado as maiores proporções (Tabela 1).

De acordo com o IBGE, essa mudança positiva, no país, decorreu da transferência de benefícios advindos de Programas Sociais em curso. Sem esses benefícios a proporção de pessoas na extrema pobreza subiria de 3,5% para 10,0% da população, enquanto a proporção da pobreza aumentaria de 23,1% para 28,7% em 2024 (IBGE, 2025).

 

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EVENTO

 

Nessa edição do Boletim Social e do Trabalho- eixo Pobreza, com o propósito de enriquecer o debate sobre a questão da pobreza e da extrema pobreza, sugere-se que os leitores acompanhem dois eventos relevantes:

O VI Simpósio Internacional sobre Estado, Sociedade e Políticas Públicas – SINESPP, a ser realizado nos dias 18, 19, 20 e 21 agosto de 2026, em Teresina-PI. Trata-se de evento que apresenta como tema central “Capitalismo e políticas públicas em contexto de expropriações e espoliações contemporâneas: lutas e resistências”. Constitui-se em iniciativa e realização do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade Federal do Piauí e visa disseminar conhecimentos científicos produzidos por pesquisadores, especialmente docentes e discentes do Brasil e de outros países.

A II Jornada Nacional de Serviço Social e XI Jornada Nordeste que ocorrerá entre 02 e 04 de setembro de 2026, em Recife-PE. Oferece inscrições gratuitas no formato online e tem como  tema “Democracia, Movimentos Sociais, Pobreza e Meio Ambiente” Visa destacar as ameaças globais à soberania nacional de países euroasiáticos e da América Latina explícitas nos discursos de lideranças políticas sobre projetos de uma “América Grande” e que focalizam o Brasil como área de interesse acendendo alertas entre intelectuais, pesquisadores e profissionais que atuam diretamente na execução das políticas sociais.

INFORME BIBLIOGRÁFICO

Nesta seção, INFORME BIBLIOGRÁFICO sugere-se a leitura dos livros. “Vidas Roubadas cuja autoria é de Alessandro Pinzani e Walquíria Domingues Leão Rego que foi lançado em 2025, em São Paulo, pela Editora UNESP. Trata sobre marcas mais visíveis da pobreza no Brasil como analfabetismo, fome, violência. E apontam os sinais invisíveis como a humilhação cotidiana, persistente inferioridade e impotência diante da vida. Em “Os ricos e os pobres: o Brasil da desigualdade”, publicado em 2023, pela Companhia das Letras, o autor, Marcelo Medeiros, trata sobre a produção da pobreza e das desigualdades e aponta soluções para enfrentar a disparidade.

EXPEDIENTE
Editora Geral: Profa. Dra. Maria Ozanira da
Silva e Silva
Editora Adjunta: Boletim Ano 15 – Nº 02,
Profa. Dra. Salviana de Maria Pastor Santos Sousa
Projeto Gráfico e Diagramação Juliano Alves
Publicação Bimensal
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