Boletim Periódico – Ano 2 (2013) – Nº 1 Tema Pobreza: A Pobreza está diminuindo no Maranhão?
ISSN 2357-8882
EDITORIAL
A segunda edição do Boletim do Observatório Social e do Trabalho oferece à comunidade acadêmica e à sociedade uma reflexão sobre a questão da pobreza e as estratégias utilizadas para seu enfrentamento. Na sessão “Em Foco”, com base em dados do Censo do IBGE 2010 e estimativas a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2011, é feita uma configuração sobre a situação da pobreza no Maranhão. Na sessão “Atualidades” apresenta-se uma entrevista com a Secretária Nacional de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Denise Colin, que é assistente social e doutora em Ciências Sociais. Na entrevista, a Secretária fala sobre as características da pobreza brasileira atual, sobre as ações mais importantes do governo nesse campo, bem como sobre seus impactos. Na sessão “Eventos”, destaca-se um informe sobre o lançamento do Plano para Superação da Pobreza Extrema no Maranhão e do Programa Viva Oportunidades. Na a sessão, “Informe Bibliográfico”, traz elementos sobre a construção do Índice de Pobreza Municipal para o Maranhão (IPMM), exposta na dissertação de Talita de Sousa Nascimento intitulada “Uma Análise Multidimensional da Pobreza no Estado do Maranhão nos Anos 2000 e 2010” a ser apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas/UFMA em maio de 2013.
Profa. Dra. Salviana de Maria Pastor Santos Sousa
Editora Adjunta
ATUALIDADE ENTREVISTA COM DENISE COLIN – características da pobreza no Brasil e ações governamentais direcionadas ao seu combate[1]
Em entrevista realizada pela Profª Dra. Maria Carmelita Yazbek da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo com a Dra. Denise Colin, Assistente Social, Mestre e Doutora em Sociologia e Secretária Nacional de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), fala sobre as características da pobreza brasileira na atualidade e as ações e impactos do Plano Brasil Sem Miséria. Carmelita Yazbek: Quais as características da pobreza brasileira atual?
Denise Colin: Segundo os dados do Censo Demográfico 2010, o Brasil possui uma população de 190,7 milhões de habitantes. Dentre estes, 58,7 milhões tem renda per capita até ½ salário mínimo; 24,2 milhões tem renda per capita até R$140,00 (considerados pobres) e 16,27 tem renda per capita até R$70,00 (considerados extremamente pobres). Nos últimos anos, o Brasil, por meio das políticas públicas e, sobretudo por meio dos programas e benefícios sociais, tirou 28 milhões de brasileiros da pobreza e levou 36 milhões para a classe média. Os dados do Censo apontam para a tendência de redução da desigualdade social no Brasil, apesar dela ainda ser acentuada. Uma das faces mais cruéis da desigualdade em nosso país era a forte concentração da miséria entre crianças e adolescentes de até 15 anos. Dados do Censo 2010 apontavam que a incidência de extrema pobreza (R$70,00) entre os brasileiros nessa faixa etária era quatro vezes aquela observada entre pessoas com mais de 60 anos. [1] Entrevista do Profª. Drª. Maria Carmelita Yazbek (PUC-SP). | EM FOCO A POBREZA ESTÁ DIMINUINDO NO MARANHÃO? Neste número 2 do Boletim do Observatório Social e do Trabalho é abordada a questão da pobreza no Maranhão, tomando como referência os dados do Censo 2010 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2011. É abordada também a prevalência dada, nos últimos governos, aos Programas de Transferência de Renda para combater a pobreza no Brasil e no Maranhão. Segundo dados do Censo 2010, o contingente de pessoas em extrema pobreza no Brasil perfaz 16,27 milhões de pessoas, o que representa 8,5% da população total (Mapa 1). No que concerne à distribuição regional no país desse contingente populacional, conforme pode ser visualizado no Gráfico 1 é a seguinte: |
EVENTO Sobre o Plano de Superação da Extrema Pobreza no Maranhão
No mês de novembro de 2012, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Agricultura Familiar (Sedes), apresentou ao público o Plano Estadual de Superação da Extrema Pobreza no Maranhão e o Programa Viva Oportunidades. O Programa estadual é uma das expressões do “Plano Brasil sem Miséria”, do Governo Federal e tem como propósito: promover a inclusão social por meio de oportunidades de capacitação, acesso ao crédito, além da transferência de renda para a população que vive em condições de extrema pobreza no Estado. O Programa volta-se, portanto, para o atendimento de “mais de 1 milhão de pessoas” que vivem em pobreza extrema no Maranhão. Para tal, deve contar com recursos da ordem de R$ 15, 9 bilhões, sendo 90% provenientes da receita federal e 10% de contrapartida do Governo do Estado, que correspondem a R$ 1,4 bilhão, dos quais R$ 500 milhões advindos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O “Viva Oportunidades” pretende abranger áreas rurais e urbanas do Maranhão e a previsão do governo é que número de pessoas em extrema pobreza deva ser reduzido para menos de 10% do contingente populacional maranhense nos próximos três anos. Embora os elementos expostos configurem o Programa como alternativa importante para o Estado, até o momento a Sedes não apresentou informações mais detalhadas sobre as ações concretas em desenvolvimento que permitam sua visualização no sentido de cumprimento dos objetivos propostos. | INFORME BIBLIOGRÁFICO Dissertação do PPGPP elabora um Índice de Pobreza para os Municípios do Maranhão A aluna do Mestrado em Politicas Públicas da UFMA, Talita de Sousa Nascimento, elaborou um índice sintético da Pobreza para o Estado do Maranhão e para os seus 217 municípios, denominado Índice de Pobreza Municipal para o Maranhão (IPMM). O IPMM foi inspirado no Índice de Pobreza Familiar (IPF) elaborado por Barros et al (2006). O IPMM tem como fonte de dados os Censos Demográficos dos anos 2000 e 2010 e é formado por 6 dimensões, 23 componentes e 40 indicadores. As seis dimensões analisadas são: a) vulnerabilidade; b) acesso ao conhecimento; c) acesso ao trabalho; d) escassez de recursos; e) desenvolvimento infantil; e f) carências habitacionais. Com essa seleção, todas as dimensões mais básicas da pobreza puderam ser consideradas diretamente, com exceção das condições de saúde, que foram computadas indiretamente, na dimensão carências habitacionais. A dissertação, intitulada UMA ANÁLISE MULTIDIMENSIONAL DA POBREZA NO ESTADO DO MARANHÃO NOS ANOS 2000 E 2010: construção do Índice de Pobreza Municipal para o Maranhão (IPMM), estará disponível no site do GAEPP, a partir do dia 17/05/2013. |
EXPEDIENTE
Editora Geral: Profa. Dra. Maria Ozanira da Silva e Silva
Editora Adjunta: Boletim Ano 02 – Nº 01,
Profa. Dra. Valéria Ferreira Santos de Almada Lima
Projeto Gráfico e Diagramação Juliano Alves
Publicação Bimensal
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