Boletim Ano 8(2019) – Nº 04 – Pobreza: POBREZA E ENCARECIMENTO NO BRASIL E NO MARAMHÃ

 ISSN 2357-8882

EDITORIAL

Na presente edição do Boletim Periódico do Observatório Social e do Trabalho – ano 8 (2019) – n. 4, o Grupo de Avaliação e Estudo da Pobreza e de Políticas Direcionadas à Pobreza (GAEPP) tem a satisfação de apresentar o tema: “Pobreza e encarceramento no Brasil e no Maranhão”. A escolha desse tema, desenvolvido na seção Em Foco tem fulcro na ideia de que o aprisionamento vem sendo adotado no país em resposta ao problema da insegurança social crescente e a um contexto social que se caracteriza pela crise do denominado Estado de Bem-Estar Social. Na ausência das políticas compatíveis com esse modelo de Estado, a gestão da pobreza passou a ser feita, prioritariamente, pelo incentivo à competição individual, por ações de cunho filantrópico e pela criminalização dos que subvertem essa nova ordem, principalmente, os moradores das periferias urbanas associados à chamada “criminalidade de rua”, sobretudo, o tráfico de drogas, os roubos e os furtos.

Na medida em que tais “condutas desviantes” são associadas aos pobres e a pobreza à violência, a necessidade de segurança passa a se expressar por obsessão securitária e, consequentemente, por demanda punitivista voltada contra os que se adequam aos estereótipos criados nesse círculo vicioso, os pobres, negros e com baixa escolaridade[1]. A fala da profa. Lourdes de Maria Leitão Nunes Rocha, disponível na Entrevista concedida à profa. Maria do Socorro Sousa de Araújo, destaca a situação das mulheres encarceradas que, como parte desse universo, praticam e sofrem violências revestidas por diferentes marcadores sociais históricos: raça, etnia, orientação sexual, geração, região, deficiência, religião.

Na seção Informe bibliográfico, sugerimos a leitura do livro publicado pela Editora Cortez, em 2019, e coordenado por Maria Ozanira da Silva e Silva: O Sistema Único de Assistência Social (Suas) no Norte e Nordeste: realidades e especificidades.  E, na última  seção, informamos a realização, no corrente mês, dos  seguintes Eventos: a) VII Semana Interdisciplinar em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros e o II Colóquio de Políticas Antirracistas no Mundo, b) palestras a serem proferidas pelo prof. português Boaventura de Sousa Santos, em São Luís-MA: “As Epistemologias do Sul e a reinvenção da Democracia” e “O futuro dos Direitos Humanos: repensando a universalidade dos direitos” e c) VI Seminário Internacional Violências e Conflitos Sociais: margens, desigualdades e conflitos socioterritoriais,na Universidade Federal do Ceará.

Enfim, esperamos que o material disponibilizado nessa edição do Boletim Informativo do Observatório Social e do Trabalho contribua para a reflexão e debate sobre questões afeitas à realidade atual do Maranhão e do Brasil.

Profa. Dra. Salviana de Maria Pastor Santos Sousa

Editora Adjunta

Referências

ANDRADE, Vera Regina Pereira. A Mudança do Paradigma Repressivo em Segurança Pública: reflexões criminológicas críticas em torno da proposta da 1º Conferência Nacional Brasileira de Segurança Pública. Sequência: Estudos Jurídicos e Políticos, Florianópolis, p. 335-356, dez. 2013.

SILVA, Isabella Miranda. Letalidade e Superencarceramento: encadeamento de efeitos sociais em discursos e práticas no Sistema Penal Maranhense. Revista de Políticas Públicas (RPP v. 23, n. 1 (2019)150-170.

[1] Conferir, entre outros autores, Andrade, 2012 e Silva, 2019.

ATUALIDADE

ENTREVISTA COM A PROFESSORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO, LOURDES DE MARIALEITÃO NUNES ROCHA- “SOBRE A QUESTÃO DA VIOLÊNCIA E O ENCARCERAMENTO DAS MULHERES”

Entrevistada: Profa. Dra. Lourdes de Maria Leitão Nunes Rocha[1]

Entrevistadora: Profa. Dra. Maria do Socorro Sousa de Araújo[2]

 Maria do Socorro Sousa de Araújo:

A violência histórica vivenciada/sofrida por mulheres no Maranhão e no Brasil é decorrente de questões de raça, gênero e classe e tem alcançado índices alarmantes, particularmente nos últimos anos. Nesse contexto, a violência praticada por mulheres também aumenta progressivamente, sendo que conforme dados disponibilizados pelo Departamento Penitenciário Nacional (2014), no contingente total de pessoas privadas de liberdade no país, é possível afirmar que a população absoluta de mulheres encarceradas no sistema penitenciário brasileiro cresceu 147% entre os anos 2007 e 2014. No Maranhão o crescimento foi de 134%, alcançando até então um total de 1.475 mulheres encarceradas. Quais questões devem ser destacadas em relação a essa realidade? 

[1] Assistente Social. Doutora em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Professora aposentada da UFMA com exercício no Programa de Pós-Graduação em Políticas (PPGPP), onde é atual Vice-Coordenadora. Membro do Grupo de Pesquisa e Extensão sobre Relações de Gênero, Étnico-Raciais, Geracional, Mulheres e Feminismos (GERAMUS). Tem experiência na área de Serviço Social, implementação de Políticas Públicas e educação popular, atuando principalmente nos seguintes temas: serviço social, organização, movimentos sociais, gênero, feminismo, violência de gênero, violência doméstica, políticas públicas, pesquisa e ética profissional.

[2] Assistente Social. Doutora em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Professora da UFMA com exercício no Departamento de Serviço Social e no Programa de Pós-Graduação em Políticas (PPGPP). Membro do Grupo de Avaliação da Pobreza e das Políticas Direcionadas à Pobreza (GAEPP). Tem experiência na área de Serviço Socia, atuando principalmente nos temas: pobreza, velhice, serviço social, representações sociais, juventude(s), estado multicultural e políticas públicas e Política de Assistência Social.

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EM FOCO

POBREZA E ENCARCERAMENTO NO BRASIL E NO MARANHÃO EM FOCO

 Na presente seção, discute-se a questão do encarceramento no Brasil e no Maranhão, partindo da perspectiva que, a partir da década de 1990, o país adotou, seguindo a tendência dos Estados Unidos, essa forma de penalidade como via prioritária para responder ao problema da insegurança social crescente. É a denominada onda punitivista que se vem alastrando ao redor do mundo e coincide com a crise do Estado Providência e redução das suas políticas baseadas na lógica da solidariedade sistêmica. Com a mudança advinda e o crescimento do neoliberalismo, de acordo, com Wacquant (2003), a pobreza[1] passou a ser tratada como problema individual e sua gestão operada, prioritariamente, mediante incentivo a ações filantrópicas e pela via da sua criminalização.

[1] Segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) cerca de 13,5 milhões de pessoas viviam em situação de extrema pobreza no Brasil em 2018, o que significa aumento de 0,1% em relação a 2017. E, quase metade (47,0%) dos que se encontravam abaixo da linha de pobreza nesse ano estava na Região Nordeste.

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EVENTO

Informamos a realização dos seguintes eventos que guardam relação com a configuração tomada como referência para o desenvolvimento o tema do presente Boletim “Pobreza e encarceramento no Brasil e no Maranhão”: a) VII Semana Interdisciplinar em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros e o II Colóquio de Políticas Antirracistas no Mundo, a ser realizada na Universidade Federal do Maranhão, no período de 19 a 22 de 2019; b) palestras a serem proferida pelo prof. Boaventura de Sousa Santos denominada “As Epistemologias do Sul e a reinvenção da Democracia”, no Campus Paulo VI da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), no dia 19 de novembro, às 9h e “O futuro dos Direitos Humanos: repensando a universalidade dos direitos” promovida pelo Governo do Maranhão e realizada no dia 18/11/2019, às 17h30, no  Hotel Blue Tree Towers; c) VI Seminário Internacional Violências e Conflitos Sociais: margens, desigualdades e conflitos socioterritoriais, de 20 a 22 do corrente na Universidade Federal do Ceará.

 

INFORME BIBLIOGRÁFICO

O SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL(SUAS) no NORTE e NORDESTE: realidades e especificidades.

Coordenado por Maria Ozanira da Silva e Silva, congrega textos produzidos sobre os eixos temáticos de pesquisa desenvolvida sobre a implementação do SUAS em três Estados: Maranhão, Pará e Ceará. As produções relacionam-se, particularmente, à percepção da Política e do Sistema Único de Assistência Social pelos sujeitos da pesquisa (gestores, técnico, conselheiros e usuários); aos Serviços, Programas, Projetos e Benefícios; aos trabalhadores do SUAS; e à participação, controle social e vigilância socioassistencial. O livro é uma publicação da Editora Cortez, 2019.

EXPEDIENTE
Editora Geral: Profa. Dra. Maria Ozanira da Silva e Silva
Editora Adjunta: Boletim Ano 08 – Nº 04,
Profa. Dra. Salviana de Maria Pastor Santos Sousa
Projeto Gráfico e Diagramação Juliano Alves
Publicação Bimensal
Os textos publicados são de
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